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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Atemporal

Com o tempo você percebe que o outro é diferente e que, às vezes, precisa de tempo e que esse tempo implica em ficar sozinho.
Com a maturidade você percebe que conviver com o diferente é importante e que ser diferente não significa ser pior ou melhor, significa apenas ser diferente, e que essa diferença complementa, ensina e engrandece quem a aceita.

Quem aceita o próximo compreende a si mesmo, e quem se reconhece no espelho corrige mais facilmente os próprios erros. Entretanto é necessário perceber o que há em volta para não se tornar egoísta.

Com a perda você percebe que para os relacionamentos serem duradouros e plenos é necessário respeitar limites e espaços e que, muitas vezes, isso exige paciência e otimismo. Paciência é qualidade dos sábios e otimismo dos vencedores.

Com o otimismo você aprende que a insegurança é bem pouco benéfica, induz a juízos precipitados e alimenta a impulsividade. Esta é a mãe de grande parte dos arrependimentos.

Com os erros você aprende que a reflexão sempre é a melhor saída, que decisões bem pensadas valem mais que o alívio de já ter feito uma escolha.

Com o final da vida você percebe que tudo o que ficou foi construído devagar, que tudo que se foi também teve o que ensinar e que você se transformou no que consegue enxergar.

Escrito em 30/05/2004.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Mais uma do Arnaldo Jabor

SER ADULTO
Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:
- 'Ah, terminei o namoro... '
- 'Nossa quanto tempo?'
- 'Cinco anos... Mas não deu certo... Acabou'
- É, não deu...?
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro. E não temos esta coisa completa.
Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é malhada, mas não é sensível.
Tudo nós não temos.
Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante... e se o beijo bate... se joga... se não bate... mais um Martini, por favor... e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não lute, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não. Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família? O legal é alguém que está com você por você. E vice versa.
Não fique com alguém por dó também. Ou por medo da solidão.
Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói. Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração. Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo. E nem sempre as coisas saem como você quer...
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.
E nem todo sexo bom é para namorar.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear.
Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar. Enfim...
Quem disse que ser adulto é fácil?